Tuesday, March 09, 2004

Super André pra presidente do Green Peace
Descobri que tenho cara de manifestante. Primeiro dia de aula, mal cheguei e algumas senhoritas já vieram me entregar uns panfletos que falavam de palestra contra sei-lá-o-quê, contra privatização do RU, "show" da senadora Heloísa Helena, etc. "Calma, meninas. Eu só tô aqui pra me formar e daqui a pouquinho (4 anos) estou indo embora. Sou da engenharia, acho que vcs pegaram o cara errado.
É, não pegaram, não. Pouco mais tarde, em frente à Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia, encontrei um velho amigo. Por mim (e por ele tb), ele teria ganho o prêmio burguês do ano durante toda a nossa infância. Só usava tênis caro, roupa de marca, ia pros EUA 2x por ano, e outras picuínhas a que tinha direito. Quem diria: ontem ele estava com uma calça rasgada, um chinelão de couro no pé e uma camiseta daquelas ganhas em comícios de assossiação de donas-de-casa. Ele e mais outros loucos varridos da filosofia juntaram em mim e já foram me dando um gongo feito de plástico velho e um pau improvisado pra fazer uma batucada contra alguma coisa, que eu não fazia a menor idéia do que qera. No começo confesso que eu resisti, mas quando uma senhorita, linda, de olhos azuis, se aproximou e tomou a frente da banda, fui o primeiro a começar a tocar o instrumento e seguir o protesto.
Pouco tempo depois já estávamos dentro do Instituto de Química, que foi quando passei o maior apuro. Baixou até polícia e, quando perguntaram pelo líder (eu jurei que ele ia se identificar), o cabeludo dono do maior tambor disse: "todos nós". Pensei: "Meu Deus, o cara é comunista até nessas horas. Primeiro dia de aula e já vou pro xilindró". Fato é que não houve maiores consequências. Pouco mais na frente, encontrei um outro amigo e resolvi abandonar o protesto. Por enquanto.
A.

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